A diminuição da fome associada às canetas de emagrecimento é a principal razão para perder peso, mas também é um ponto de atenção para cuidar da alimentação.

Durante o uso de medicamentos análogos de GLP-1, é normal sentir menos fome, mas isso não significa que o organismo precise de menos nutrientes. 

Mesmo com ingestão alimentar reduzida no período do tratamento, o corpo continua dependendo de proteínas, vitaminas, minerais, fibras e demais nutrientes para manter suas funções, preservar a saúde e a massa muscular e apoiar a perda de peso de forma saudável.

Por isso, é fundamental encontrar estratégias para equilibrar a redução do apetite com uma alimentação nutritiva de verdade, garantindo que o organismo receba tudo o que precisa para funcionar adequadamente. 

Neste texto, você confere a relação entre GLP-1 e apetite, os motivos que levam a essa diminuição da fome e encontra dicas para lidar com esse efeito favorecendo sua saúde e seu emagrecimento.

Como o GLP-1 reduz o apetite?

O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1) é um hormônio produzido pelo corpo e liberado no intestino quando nos alimentamos. Uma das suas principais funções é ajudar o organismo a comunicar ao cérebro que o corpo já recebeu energia suficiente e está satisfeito. 

Os análogos de GLP-1 são medicamentos que “imitam a ação” desse hormônio e deixam o corpo sob esse efeito por mais tempo e de forma mais intensa. É por isso que relatos que destacam menos fome e maior facilidade para controlar as porções durante o tratamento com GLP-1 são comuns. 

O mecanismo de ação ocorre por meio de três frentes principais: 

O GLP-1 age no Sistema Nervoso Central

O hormônio e seus análogos estimulam áreas do cérebro responsáveis pelo controle do apetite, aumentando a sensação de saciedade e reduzindo a fome. Dessa forma, o cérebro recebe mensagens mais intensas de que o corpo está satisfeito, favorecendo a redução do apetite.

O GLP-1 retarda o esvaziamento gástrico

Outro efeito do GLP-1 é a sensação de estômago “cheio”. Isso ocorre porque o hormônio faz com que os alimentos permaneçam por mais tempo no estômago. Como resultado, contribui para que a pessoa passe mais horas sem sentir fome entre as refeições.

Controle da glicemia é um dos mecanismos do GLP-1

Ao melhorar a resposta do organismo à glicose pelo aumento da secreção de insulina, o GLP-1 ajuda a evitar oscilações bruscas nos níveis de açúcar no sangue, que podem aumentar a sensação de fome e o desejo por alimentos mais calóricos.

A combinação desses efeitos explica por que os medicamentos à base de análogos de GLP-1 ajudam pacientes a permanecer mais tempo sem comer e a consumir menos calorias ao longo do dia.

Cérebro

A ação dos análogos de GLP-1 sobre os centros reguladores da fome e da saciedade pode ser percebida de diferentes formas no dia a dia. Entre as mudanças mais comuns estão:

  • Maior intervalo entre as refeições, já que a fome demora mais para aparecer.
  • Menor tolerância a grandes volumes de comida.
  • Redução da necessidade de beliscar entre as refeições.
  • Diminuição do desejo alimentar (especialmente em situações que antes despertavam vontade de comer sem que houvesse fome física).

Esses efeitos foram observados em estudos. Em um ensaio clínico com adultos com obesidade, a semaglutida reduziu significativamente a fome, aumentou a saciedade, melhorou o controle da alimentação e diminuiu os desejos por comida e a ingestão de calorias em comparação ao placebo.

Sistema de recompensa do cérebro

Os medicamentos também parecem influenciar o sistema de recompensa do cérebro, responsável por parte do prazer associado à alimentação. Como consequência, algumas pessoas percebem mudanças no interesse por determinados alimentos e menos fome hedônica, que é o desejo de comer motivado pelo prazer e não pela necessidade energética.

Isso não significa perder o prazer de comer, mas sim experimentar uma relação mais equilibrada com a alimentação. Com menos interferência de impulsos, pensamentos intrusivos e desejos constantes, torna-se mais fácil reconhecer os sinais que o organismo envia sobre quando comer e quando já está satisfeito.

Estômago

Pacientes que utilizam análogos de GLP-1 relatam uma mudança perceptível na forma como se sentem após as refeições: a sensação de estômago cheio aparece mais cedo e costuma durar por mais tempo.

Isso acontece porque esses medicamentos tornam a digestão mais lenta, prolongando a permanência dos alimentos no estômago. Como consequência, aumenta a chamada plenitude gástrica, ou seja, a sensação física de que o estômago está cheio.

Dessa forma, a pessoa pode se sentir satisfeita com porções menores do que estava acostumada a consumir. Também é comum ocorrer saciedade precoce, quando a vontade de continuar comendo diminui antes mesmo de terminar uma refeição que antes parecia adequada. Além disso, os intervalos entre as refeições tendem a ser maiores, já que a sensação de satisfação permanece por mais tempo.

Glicemia

A relação entre glicemia e fome é mais próxima do que muitos imaginam. Os níveis de glicose no sangue influenciam a forma como o organismo percebe a necessidade de energia e, consequentemente, podem afetar os sinais de apetite ao longo do dia.

Quando ocorrem oscilações glicêmicas mais acentuadas, algumas pessoas podem experimentar quedas de energia acompanhadas por aumento da fome, maior desejo por alimentos e uma sensação de urgência para comer. Esses episódios podem contribuir para o surgimento de “picos de fome”, que tornam mais difícil controlar a ingestão alimentar.

Ao ajudar a promover um controle mais estável da glicemia, os análogos de GLP-1 também contribuem para uma maior estabilidade energética. Como resultado, a percepção de fome tende a se tornar mais previsível ao longo do dia, sem oscilações tão intensas entre momentos de muita saciedade e episódios de fome repentina.

O impacto dos análogos do GLP-1 no comportamento alimentar

A relação entre os análogos de GLP-1 e apetite vai além da redução da fome. Muitas pessoas relatam mudanças na forma como pensam sobre comida, percebem o apetite, fazem escolhas alimentares e respondem a alimentos que antes despertavam grande interesse.

Em outras palavras, o tratamento pode influenciar diferentes aspectos do comportamento alimentar, incluindo o desejo de comer, a busca por recompensas associadas à alimentação e a relação construída com a comida ao longo da vida. 

É importante destacar que, apesar disso, os análogos de GLP-1 não são indicados para tratar transtornos alimentares ou dificuldades na relação com a comida. Nesses casos, o diagnóstico e o tratamento devem ser conduzidos por uma equipe multiprofissional, com abordagem individualizada, envolvendo médico, nutricionista e psicólogo, conforme a necessidade.

Redução do “food noise”

Além da diminuição da fome, algumas pessoas relatam uma mudança menos óbvia, mas bastante significativa durante o uso de análogos de GLP-1: a redução do chamado “food noise” (ou “ruído alimentar”).

Esse termo é utilizado para descrever pensamentos frequentes sobre comida, como planejar constantemente a próxima refeição, pensar repetidamente em determinados alimentos ou sentir um desejo alimentar persistente mesmo quando não há fome física. Em alguns casos, a alimentação passa a ocupar uma parcela considerável dos pensamentos ao longo do dia.

Embora ainda não exista uma definição clínica oficial para o food noise, possivelmente ele esteja relacionado à forma como o cérebro processa sinais de fome, saciedade e recompensa. Por isso, quando os análogos de GLP-1 atuam nesses mecanismos, algumas pessoas percebem uma redução da preocupação constante com comida e da antecipação alimentar.

 

Fome emocional x saciedade terapêutica

Nem toda vontade de comer está relacionada a uma necessidade física do organismo de obter energia e nutrientes. 

A fome emocional ou psicológica pode aparecer de maneira repentina, geralmente estimulada por gatilhos emocionais como ansiedade, estresse, tédio, frustração ou até mesmo pela busca de conforto e recompensa.

É o que acontece quando uma pessoa procura um doce após um dia difícil, busca um lanche para aliviar a ansiedade ou sente vontade de comer simplesmente porque está diante de um alimento muito atrativo. 

Enquanto isso, a saciedade terapêutica está relacionada ao fortalecimento dos sinais fisiológicos que indicam fome e saciedade e da capacidade de perceber e interpretar esses sinais. 

Como a sensação de saciedade pode se tornar mais evidente durante o uso de análogos de GLP-1, pode ser mais fácil conseguir diferenciar a fome física e a fome emocional. Essa mudança não elimina os gatilhos emocionais nem resolve, por si só, questões relacionadas ao comportamento alimentar, mas pode ajudar a criar uma relação mais consciente com a comida.

  • Leia também: Fome emocional: como as emoções interferem na alimentação.

 

Mudanças nas escolhas alimentares

As canetas de emagrecimento também podem alterar a forma como algumas pessoas se relacionam com determinados alimentos. Uma das percepções mais comuns é a redução do desejo por alimentos ricos em açúcar e gordura ou ultraprocessados. Algumas pessoas também relatam menor atração por determinados sabores, cheiros ou texturas.

Essas alterações parecem estar relacionadas não apenas ao aumento da saciedade, mas também à maneira como o cérebro processa os mecanismos de recompensa associados à alimentação. 

Estudos sugerem que hormônios como o GLP-1 influenciam tanto a percepção dos sabores quanto a atividade dos circuitos cerebrais ligados ao prazer de comer. Esse efeito ajuda a explicar por que determinados alimentos deixam de despertar o mesmo interesse ou desejo observado antes do tratamento.

Isso não significa que a comida deixe de ser prazerosa, mas que a resposta emocional e comportamental diante dos alimentos pode se tornar mais equilibrada. Algumas pessoas passam a sentir satisfação com porções menores ou deixam de buscar certos alimentos apenas pelo prazer momentâneo. 

Os riscos da redução excessiva do apetite

Mesmo com uma ingestão alimentar reduzida, o corpo continua necessitando de nutrientes para manter suas funções, preservar a composição corporal e sustentar a saúde ao longo do tempo. 

Por isso, quando a redução do apetite é muito intensa e a ingestão alimentar é baixa, o fornecimento de macro e micronutrientes pela alimentação pode ser insuficiente, comprometendo o funcionamento do organismo e até mesmo o processo de emagrecimento.

Sinais de alerta: quando se preocupar com a falta de apetite ao usar canetas de emagrecimento?

Quando a ingestão alimentar se torna insuficiente para atender às necessidades do organismo, alguns sinais merecem atenção:

  • Dificuldade para comer o suficiente: pular refeições com frequência; não conseguir completar refeições básicas; sensação de saciedade tão intensa que dificulta a alimentação ao longo do dia; baixa ingestão alimentar por vários dias consecutivos.
  • Dificuldade para atingir as necessidades nutricionais: consumo insuficiente de calorias, carboidratos, gorduras e, principalmente, proteínas; redução importante da variedade alimentar; dificuldade para ingerir alimentos ricos em vitaminas, minerais e fibras.
  • Sinais de baixa disponibilidade de energia: fadiga excessiva; fraqueza; tonturas; falta de disposição para atividades do dia a dia.
  • Impacto na composição corporal e no desempenho físico: perda de peso muito acelerada; redução da capacidade de treino; queda no desempenho físico; perda de força muscular; suspeita de perda excessiva de massa magra; surgimento de flacidez intensa; dores articulares e/ou musculares frequentes.

Agonorexia: quando a falta de apetite se torna um problema

O termo agonorexia é relativamente recente e surgiu da combinação entre agonistas do receptor de GLP-1 e anorexia. Ele tem sido usado para descrever situações em que a redução do apetite causada por medicamentos para emagrecimento leva a uma restrição alimentar excessiva, pois há ausência quase total de fome, que pode ser acompanhada de enjoos, falta de energia e vertigem. 

Essa situação pode ser mais comum quando há uso da medicação sem prescrição médica, quando as doses são aumentadas de forma muito brusca ou quando não há acompanhamento nutricional adequado. Como resultado, podem surgir queda de cabelo, flacidez, perda acentuada de músculo e massa óssea, além de graves deficiências nutricionais. 

Embora não seja um diagnóstico médico oficial, ele alerta para o risco de comer menos do que o necessário, o que pode causar prejuízos à saúde a curto e a longo prazo. 

Perda de massa muscular

Uma preocupação comum é se as canetas de emagrecimento causam perda de massa muscular. Na verdade, os análogos de GLP-1 não provocam essa perda diretamente. No entanto, como reduzem o apetite, o consumo de nutrientes importantes para a formação e preservação da saúde muscular, como proteínas, também é reduzido.

Quando isso acontece, principalmente na ausência de treinamento de força, o organismo pode utilizar aminoácidos, que fazem parte da massa muscular, como fonte de energia durante o processo de emagrecimento.

É importante entender que toda perda de peso envolve uma redução tanto de gordura quanto de massa magra. Por isso, o objetivo do tratamento não é apenas perder peso, mas melhorar a composição corporal, preservando ao máximo a massa muscular para que a maior parte da perda ocorra às custas da gordura.

Durante o tratamento é preciso garantir uma ingestão adequada de proteínas e manter a prática de treinamento resistido, como musculação ou outros exercícios de força. Essas estratégias ajudam a preservar os músculos, manter a força e o metabolismo, reduzir o risco de sarcopenia (especialmente em pessoas mais velhas) e favorecer a manutenção dos resultados obtidos com o tratamento.

 

Possíveis efeitos colaterais gastrointestinais

Os efeitos colaterais também podem contribuir para a redução excessiva do apetite durante o uso de análogos de GLP-1. Náusea, enjoo, sensação de estômago cheio, refluxo, constipação (intestino preso) e outros desconfortos digestivos podem aparecer, principalmente nas primeiras semanas ou durante os ajustes de doses. 

Na maioria dos casos, essas intercorrências são temporárias e tendem a diminuir à medida que o organismo se adapta. Se os sintomas forem intensos, persistentes ou dificultarem a alimentação, é fundamental procurar orientação médica. 

Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir esses desconfortos, como fazer refeições menores e com alta densidade nutricional, comer devagar, evitar alimentos muito gordurosos, açucarados e condimentados e manter uma boa hidratação durante o uso de análogos de GLP-1

Nos casos de constipação, também é importante garantir a ingestão adequada de fibras e cuidar da microbiota intestinal, fatores que contribuem para o bom funcionamento do intestino.

Estratégias para manter a nutrição em dia durante o tratamento

Quando a ingestão alimentar diminui de forma importante, também pode haver redução no consumo de nutrientes essenciais para a saúde. Como consequência, a perda de peso, mesmo quando desejada, pode ser acompanhada por deficiências nutricionais que comprometem funções metabólicas, imunológicas e musculares. 

Em um estudo com mais de 461 mil adultos, cerca de 1 em cada 5 pessoas apresentou alguma deficiência nutricional após um ano de tratamento, sendo a deficiência de vitamina D a mais frequente. Por isso, além do controle do peso, é fundamental adotar estratégias que preservem a qualidade da alimentação durante todo o tratamento. 

A seguir, você confere os principais cuidados para atender às necessidades nutricionais do organismo, reduzir o risco de deficiências e favorecer uma perda de peso mais saudável e sustentável.

Acompanhamento profissional

O tratamento com análogos de GLP-1 deve ser individualizado, prescrito e acompanhado por uma equipe de saúde, incluindo médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo. Essa assistência é fundamental para que a perda de peso ocorra de forma segura, preservando a saúde e favorecendo melhores resultados.

Ao longo do tempo, é possível monitorar a ingestão alimentar, identificar precocemente possíveis deficiências nutricionais, avaliar a composição corporal e ajustar estratégias relacionadas à alimentação, à suplementação e à prática de atividade física. Esse cuidado contribui para preservar a massa muscular e favorecer uma maior redução de gordura corporal.

Essa necessidade de acompanhamento é reforçada por estudos. Em uma pesquisa com pessoas em uso de medicamentos análogos de GLP-1, observou-se que muitos participantes não atingiam, apenas por meio da alimentação, as recomendações diárias de proteínas, fibras, vitaminas e minerais, evidenciando a importância da avaliação nutricional personalizada durante o tratamento.

O acompanhamento profissional também auxilia no manejo de efeitos colaterais, na prevenção do reganho de peso e na construção de hábitos alimentares que possam ser mantidos mesmo após o término do tratamento. Essa abordagem torna o processo de emagrecimento mais seguro, sustentável e alinhado às necessidades de cada paciente.

Priorizar a densidade nutricional

Cada refeição deve oferecer um equilíbrio de nutrientes e o maior valor nutricional possível. A ideia é escolher opções com alta densidade nutricional, ou seja, que concentram muitos nutrientes em pequenas porções. Por isso, vale colocar no prato:

  • Proteínas de qualidade: carnes magras, peixes, ovos, leite e derivados, além de leguminosas, como feijão, lentilha, grão-de-bico e soja.
  • Frutas, verduras e legumes: para compor refeições mais nutritivas e variadas, agregando vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos.
  • Oleaginosas e sementes: como castanhas, nozes, amêndoas, amendoim, gergelim, chia e linhaça.
  • Cereais integrais e leguminosas: cereais como arroz, batata, quinoa, aveia e trigo integral, juntamente com as leguminosas, fornecem vitaminas, minerais, fibras e carboidratos (energia) e ajudam a compor uma alimentação equilibrada.

Micronutrientes

Durante o tratamento, alguns micronutrientes podem merecer um acompanhamento mais cuidadoso.  Entre eles estão o ferro, as vitaminas do complexo B (especialmente a vitamina B12), o magnésio, o zinco, o cálcio e a vitamina D.

Esses nutrientes participam de funções essenciais do organismo, como a produção de energia, a formação das células do sangue, o funcionamento muscular e cerebral, a imunidade, a saúde óssea e a manutenção da massa muscular.

Exemplos de refeições com alta densidade nutricional

Uma refeição com alta densidade nutricional deve reunir diferentes grupos alimentares para fornecer um bom aporte de nutrientes mesmo em pequenas porções. O exemplo abaixo ilustra como essas combinações podem ser feitas. Lembre-se de que o cardápio, as quantidades e a distribuição das refeições devem ser sempre individualizados e orientados por um nutricionista.

Fracionamento das refeições

Com a redução do apetite, uma estratégia útil é fracionar a alimentação ao longo do dia, realizando refeições menores e mais frequentes, em vez de passar muitas horas sem comer. 

Além de facilitar a ingestão de nutrientes, essa estratégia pode melhorar a tolerância alimentar e ajudar a reduzir sintomas como náusea, refluxo e sensação de estômago muito cheio.

Algumas dicas podem ajudar:

  • Reduza o tamanho das refeições principais e inclua pequenos lanches entre elas.
  • Priorize alimentos ricos em proteínas em todas as refeições, como carnes, ovos, peixes, laticínios e leguminosas.
  • Comece comendo a refeição pela proteína, garantindo o consumo desse nutriente mesmo quando o apetite é pequeno.
  • Tenha horários regulares para comer, sem esperar sentir muita fome.
  • Prefira alimentos nutritivos, que concentrem proteínas, fibras, vitaminas e minerais em pequenas porções.
  • Coma devagar e interrompa a refeição ao perceber os primeiros sinais de saciedade.
  • Evite alimentos muito gordurosos ou condimentados, principalmente durante o aumento da dose do medicamento.
  • Mantenha uma boa hidratação e uma ingestão adequada de fibras para favorecer o funcionamento intestinal.

O papel central da ingestão proteica

Durante o tratamento com análogos de GLP-1, garantir uma ingestão adequada de proteínas torna-se uma das principais estratégias para preservar a massa muscular. Como a redução do apetite pode fazer com que a pessoa coma menos, também aumenta o risco de consumir menos proteína do que o necessário.

Além de contribuir para a manutenção dos músculos, a proteína participa da recuperação muscular após os exercícios, ajuda na produção de energia, enzimas e hormônios, mantém o funcionamento do sistema imunológico, favorece o envelhecimento saudável e aumenta a saciedade, auxiliando no controle do apetite.

Como atingir a meta de proteína mesmo com pouco apetite?

Quando o volume das refeições é menor, cada uma delas precisa fornecer uma boa quantidade de proteína. Em vez de concentrar todo o consumo em apenas uma refeição, o ideal é distribuir a ingestão ao longo do dia.

Veja algumas formas de fazer isso:

  • Inclua uma fonte de proteína em todas as refeições e lanches.
  • Comece a comer a refeição pela proteína, aproveitando o momento em que o apetite costuma ser maior.
  • Escolha alimentos com alta densidade proteica e nutricional (carnes magras, frango, peixes, ovos, leguminosas, leite e derivados).
  • Quando necessário, utilize suplementos proteicos sob orientação do nutricionista.

Quanto deve ser o consumo de proteína por dia?

As necessidades de proteína variam de acordo com a idade, o nível de atividade física e os objetivos de saúde. De forma geral, instituições de saúde como a United States and Canadian Dietetic Association recomendam o consumo de proteína por dia para

  • Pessoas sedentárias ou pouco ativas: cerca de 0,8g de proteína por kg de peso corporal por dia.
  • Pessoas que praticam atividade física moderada: entre 1,2 e 1,4g/kg/dia.
  • Pessoas que praticam atividade física intensa: entre 1,2 e 1,7g/kg/dia.

Esses valores são estimativas gerais. Durante o uso de análogos de GLP-1, a necessidade de proteína pode ser ainda maior para ajudar a preservar a massa muscular. Por isso a recomendação deve ser individualizada por um médico ou nutricionista.

Como funciona na prática?

Uma pessoa de 100kg que tenha como meta consumir cerca de 150g de proteína por dia, por exemplo, pode distribuir essa quantidade ao longo das refeições, ingerindo aproximadamente 30g de proteína em cada uma das principais refeições.

Como cada alimento possui uma quantidade diferente de proteína, conhecer as principais fontes pode ajudar no planejamento da alimentação.

Fontes de proteínas

  • Animais: carne, aves e peixes, ovos, leite, iogurte e queijos.
  • Vegetais: feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha, tofu, tempeh e outros derivados da soja.
  • Suplementos: whey protein (proteína do soro do leite), beef protein (proteína da carne), veggie protein (proteína vegetal) e collagen protein (proteína de colágeno). 

Alimentos ricos em proteína (100g/alimento)

  • Peito de frango: 31g
  • Carne bovina magra: 25g
  • Peixe: 20g
  • Ovos: 13g
  • Queijo: 20g
  • Leite ou iogurte: 3,5g
  • Soja cozida: 17g
  • Feijão, grão-de-bico ou lentilha cozidos: 9g
  • Sementes de gergelim: 21g.

O papel da suplementação no tratamento com GLP-1

Suplementos alimentares podem ser ferramentas complementares para ajudar a reduzir efeitos não intencionais do uso de análogos de GLP-1 como deficiências nutricionais, perda de massa muscular e alterações metabólicas. Entre os principais estão:

  • Multivitamínicos: para favorecer a ingestão de vitaminas e minerais;
  • Suplementos proteicos: para ajudar a atingir a meta diária de proteínas;
  • Fibras e probióticos: podem melhorar o funcionamento intestinal, favorecendo a absorção adequada de nutrientes, e ajudar a minimizar efeitos gastrointestinais;
  • Creatina: pode contribuir para a preservação da massa muscular e da força;
  • Ômega-3: pode auxiliar na saúde cardiovascular e cerebral e no controle de processos inflamatórios;
  • Eletrólitos: podem ajudar a manter o equilíbrio da hidratação e dos minerais do organismo, especialmente em casos de redução da ingestão alimentar ou de sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia.

Vale destacar que a suplementação deve fazer parte de um plano nutricional personalizado e orientado por nutricionista, garantindo mais segurança e melhores resultados durante o tratamento.

Quer saber quais nutrientes merecem atenção durante o uso de GLP-1? Confira nosso Guia de Suporte Nutricional durante o tratamento.

As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para o profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. Assim, as informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter a respeito de sua condição médica. Por fim, nunca desconsidere o conselho médico ou demore na procura de ajuda por causa de algo que tenha lido em nosso site e mídias sociais da Essential.

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