Mais do que eliminar água, o suor ajuda, principalmente, a regular a temperatura e os líquidos corporais, mas também fornece pistas importantes sobre a saúde. Entenda!
Por que suamos?
O que acontece com o nosso corpo quando suamos?
O suor faz bem para o organismo?
Afinal, o suor elimina toxinas?
O que perdemos quando suamos?
Quando ingerir apenas água pode não ser suficiente?
O suor interfere no desempenho físico dos atletas?
Quando o suor pode indicar um problema?
Suor excessivo
Hiperidrose
Suor frio
Suor noturno
Alergia ao suor
Mau odor
7 dicas para reduzir o desconforto causado pelo excesso de suor
Referências
Suar é uma reação natural do organismo. Sempre que a temperatura corporal aumenta, seja durante um exercício, em dias quentes, em momentos de febre ou de estresse, o mecanismo é acionado para dissipar o calor e proteger o corpo do superaquecimento. Ao mesmo tempo, alterações no padrão do suor, como suar em excesso sem causa aparente, podem servir como sinal de alerta para algumas condições de saúde.
Somado a isso, quando suamos, o corpo elimina água, mas também eletrólitos, que são minerais importantes para o funcionamento do corpo. Entenda como o suor é produzido, o que acontece com o corpo quando transpiramos e quando apenas beber água pode não ser suficiente.
De onde vem o suor?
O suor, ou sudorese, é um líquido produzido pelas glândulas sudoríparas, que são estruturas distribuídas por toda a superfície da pele. Em linhas gerais, é formado a partir do plasma sanguíneo e composto principalmente por água (em torno de 99%), além de eletrólitos (como sódio, cloreto e potássio), pequenas quantidades de ureia, lactato, proteínas e peptídeos.
Existem dois tipos principais dessas glândulas:
- Glândulas écrinas: localizadas na derme e em quase todo o corpo, produzem um suor aquoso responsável pelo resfriamento corporal.
- Glândulas apócrinas: concentradas nas axilas, virilha e região genital, produzem um suor mais espesso e rico em proteínas e lipídios.

Por que suamos?
A principal função do suor é dissipar o calor por meio da evaporação e, assim, contribuir com a regulação da temperatura corporal.
Fisiologicamente, esse mecanismo começa no hipotálamo, região cerebral responsável pela termorregulação. Quando o cérebro identifica o aumento da temperatura corporal, ele envia sinais nervosos para as glândulas sudoríparas produzirem o suor. Depois de liberado na superfície da pele, o suor evapora, eliminando calor e promovendo o resfriamento do corpo.
Algumas das situações em que esse mecanismo é ativado são:
- Ao praticar atividade física: quando nos movimentamos, os músculos produzem energia e calor. Para evitar o superaquecimento, o organismo ativa mecanismos de termorregulação, como o aumento do fluxo sanguíneo na pele (vasodilatação) e a produção de suor.
- Em dias quentes: é bem comum suar principalmente no verão, e isso faz parte da regulação corporal quando a temperatura do ambiente está alta.
- Ao ingerir alimentos apimentados: compostos como a capsaicina, presente na pimenta, estimulam receptores que fazem o cérebro interpretar uma sensação de calor, e que pode desencadear a sudorese.
- Em momentos de oscilações hormonais: mudanças hormonais, como as que ocorrem na menopausa, gravidez, puberdade ou em algumas condições da tireoide, podem alterar os mecanismos de controle da temperatura corporal e aumentar a produção de suor.
- Quando estamos com febre: durante infecções, o organismo eleva temporariamente a temperatura corporal para combater microrganismos. Quando a febre começa a ceder, o suor aumenta para ajudar a reduzir a temperatura do corpo.
- Diante de emoções estressantes: situações de ansiedade, medo ou nervosismo ativam o sistema nervoso simpático, estimulando principalmente as glândulas sudoríparas das palmas das mãos, plantas dos pés, axilas e rosto.

O suor faz bem para o organismo?
Sim! O suor faz parte de um mecanismo importante para manter o corpo em homeostase. Entre suas atuações, vamos destacar as principais:
- Termorregulação: o suor regula a temperatura corporal ao ocasionar resfriamento quando é evaporado.
- Sustentação da performance física: suar é fundamental para evitar o superaquecimento durante o exercício, além de prevenir fadiga precoce e estresse térmico.
- Proteção para a pele: o suor contém substâncias com ação defensiva contra agentes patogênicos. Entre elas, está a dermicidina, um peptídeo antimicrobiano produzido naturalmente pelas glândulas sudoríparas.
Afinal, o suor elimina toxinas?
Em parte, sim, mas sua atuação é limitada. Embora o suor possa conter substâncias como ureia, amônia, lactato e alguns metais, as evidências científicas mostram que ele, em situações normais, desempenha apenas um papel complementar na detoxificação desses compostos, e sua eliminação é majoritariamente feita pelos rins, fígado e intestino.
Essa ideia é reforçada pela revisão científica Physiology of sweat gland function: The roles of sweating and sweat composition in human health, que desmistifica a crença de que “suar elimina toxinas” por falta de evidências consistentes entre os estudos e de limitações metodológicas.
Segundo a autora, a principal função do suor é regular a temperatura corporal por meio da evaporação, e a quantidade de resíduos e metais eliminada pela transpiração é muito pequena.
Nas condições em que há contaminação comprovada ou exposição a grandes quantidades de metais pesados, induzir a sudorese pode ajudar no processo de desintoxicação, sendo indicado como parte do tratamento de cura. Nesses casos, sim, o suor é capaz de eliminar toxinas de forma mais expressiva.
O que perdemos quando suamos?
Basicamente, o suor promove a perda de água e eletrólitos, principalmente de sódio. A prevalência do mineral acontece porque o sódio é um dos elementos mais abundantes no plasma sanguíneo, principal matéria-prima do suor.
Quando essa perda não é reposta adequadamente, pode evoluir para um quadro de desidratação. A falta de uma hidratação eficiente pode reduzir o volume plasmático, diminuir a sudorese e aumentar rapidamente a temperatura corporal e o esforço cardiovascular.
| O que perdemos |
Alguns processos dos quais participa |
| Água | Regulação da temperatura corporal, manutenção do volume sanguíneo e transporte de nutrientes |
| Sódio | Equilíbrio hídrico, transmissão nervosa e contração muscular |
| Cloreto | Equilíbrio de líquidos e equilíbrio ácido-base |
| Potássio | Funcionamento muscular, nervoso e cardíaco |
| Magnésio | Metabolismo energético e funcionamento muscular |
| Cálcio | Contração muscular e sinalização celular |
Quando ingerir apenas água pode não ser suficiente?
A água é essencial para repor os líquidos eliminados pelo suor. No entanto, como a transpiração também promove a perda de eletrólitos, apenas beber água pode não repor todos os nutrientes perdidos em certas situações que elevam a sudorese, como:
- exercícios prolongados e/ou de alta intensidade;
- calor intenso;
- sudorese elevada.
Nesses contextos, a reposição de eletrólitos pode complementar a ingestão de água e ajudar a recuperar parte dos minerais eliminados durante a transpiração.
Principalmente para quem treina, os repositores de eletrólitos são opções práticas e que ajudam a reforçar a ingestão desses microelementos.
O suor interfere no desempenho físico dos atletas?
Se não houver reposição adequada, sim! A depender do tipo, duração e intensidade do exercício, o suor pode ser mais um elemento com influência na performance física de quem treina ou pratica esportes. Isso, porque ele elimina água e eletrólitos, que são essenciais para manter as condições corporais adequadas durante a prática física.
A revisão científica Exercise under heat stress: thermoregulation, hydration, performance implications, and mitigation strategies explica que ao suar sem repor líquidos e eletrólitos, o volume sanguíneo diminui. Assim, com menos sangue e temperatura interna alta, a capacidade aeróbica cai e a sensação de esforço aumenta, prejudicando a performance. Em situações extremas, o superaquecimento pode evoluir para condições mais graves devido à temperatura, como exaustão por calor.
Por isso, manter uma boa hidratação antes, durante e após o treino, além de repor eletrólitos quando necessário, é fundamental para preservar a termorregulação, reduzir os efeitos da desidratação e manter o desempenho físico, com ênfase para exercícios prolongados, como treinos de endurance, ou realizados em ambientes quentes.
Quando o suor pode indicar um problema?
O suor é um mecanismo importante para o funcionamento regular do corpo, mas em algumas situações pode indicar desequilíbrios de saúde. Entre as condições adversas, podemos destacar:
Suor excessivo
Talvez a principal queixa associada ao suor seja referente ao excesso. Suar além da conta em um dia quente ou durante a prática de esportes pode ocasionar desconforto, por mais que seja natural do corpo e indique termorregulação. Além disso, pode manchar roupas, promover mau odor, dificultar atividades do dia a dia e até impactar a qualidade de vida.
Na prática esportiva, a perda excessiva de líquidos e eletrólitos, sem reposição adequada, também aumenta o risco de desidratação e desregulação térmica, podendo comprometer o desempenho do atleta. É por isso que muitas vezes vemos corredores e ciclistas utilizando alimentos e suplementos para repor eletrólitos antes, durante e depois dos treinos e competições. Afinal, para eles a hidratação é uma questão estratégica que soma nos resultados.
Além dessas condições, quando o suor é excessivo, frequente e acontece mesmo sem calor ou esforço físico, ele pode indicar uma condição que merece tratamento, como a hiperidrose.
Suor excessivo na região íntima
Muitas mulheres já sentiram desconforto na região íntima durante os treinos, como sensação de umidade, abafamento e até coceira.
A combinação de suor excessivo com calor e roupas apertadas cria um ambiente quente e úmido que favorece a proliferação de microrganismos e pode desequilibrar o microbioma íntimo, promovendo esses incômodos.
Por isso, é pertinente lembrar do cuidado íntimo entre as práticas de autocuidado, já que ele pode ajudar a manter o equilíbrio da região e o conforto feminino no dia a dia e também durante exercícios físicos.
Hiperidrose
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a hiperidrose é uma condição que provoca suor excessivo, na qual os pacientes podem transpirar muito até mesmo em repouso.
Para entender como a condição acontece, é importante lembrar que quem regula a liberação de suor é o cérebro, mais precisamente o hipotálamo. Assim, a hiperidrose é uma desregulação do sistema nervoso central caracterizada pelo aumento anormal da sudorese. Tanto que estudos mostram que não há disfunção ou alterações patológicas nas glândulas sudoríparas.
Há diversos tratamentos para a hiperidrose, desde antitranspirantes mais potentes, aplicação de toxina botulínica (botox), medicamentos e procedimentos cirúrgicos. Por isso, a orientação médica é fundamental para direcionar a melhor opção para cada caso.
Suor frio
O suor frio é uma transpiração que ocorre quando a pele fica fria e úmida, geralmente sem estar relacionada ao calor ou ao exercício físico. Ele costuma acontecer quando o organismo libera hormônios do estresse.
Por isso, é comum suar frio em momentos de medo e ansiedade. Também, quando a pressão arterial cai, em quadros de baixos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia), vômitos, infecções e até condições mais preocupantes, como infarto.
A melhor resposta para lidar com o suor frio é tentar observar sua causa e buscar ajuda médica caso não seja algo pontual ou associado a situações evidentes.
Suor noturno
Suar enquanto dorme pode ser normal em algumas situações, como em noites muito quentes ou de sonhos agitados.
Mas, quando o suor noturno não está necessariamente atrelado a essas condições e é significativo, deixando roupas de cama e de dormir úmidas, pode estar associado a condições como alterações hormonais, da menopausa, quando os fogachos causam suor intenso.
O uso de medicamentos e algumas doenças acompanhadas de febre também podem ocasionar suor enquanto dormimos.
Alergia ao suor
Você sabia que algumas pessoas apresentam uma reação na pele desencadeada pelo suor ou pelo aumento da temperatura corporal? Popularmente chamada de alergia ao suor, a condição tem como nome técnico Urticária colinérgica.
Nessa condição, o aumento da temperatura corporal libera uma quantidade elevada de histamina na pele, substância que, quando em altos níveis no corpo, pode ocasionar irritações cutâneas, como bolinhas avermelhadas, coceira, ardência e pequenas lesões.
Além disso, os pesquisadores sugerem que mecanismos autoimunes podem contribuir para que algumas pessoas desenvolvam sensibilidade ao suor. Outro possível participante desse processo é a acetilcolina, neurotransmissor que estimula a produção de suor e também pode ativar a liberação de histamina, favorecendo o surgimento de irritações cutâneas.
Mau odor
O suor, por si só, praticamente não tem cheiro. O mau odor surge quando ele entra em contato com as bactérias que vivem naturalmente na pele. Esses microrganismos degradam componentes do suor, principalmente os produzidos pelas glândulas apócrinas (presentes nas axilas, virilhas e região genital), liberando compostos voláteis responsáveis pelo odor característico.
Ainda, quando o mau odor é forte, desagradavel e persistente, pode caracterizar uma condição chamada bromidrose. Geralmente, está ligada a um microbioma cutâneo com mais bactérias, hiperidrose, alimentação rica em compostos sulfurados e aromas voláteis (como alho, cebola, café e álcool), condições metabólicas e o uso de certos medicamentos.
O tratamento da bromidrose combina o controle da umidade e da proliferação bacteriana por meio de hábitos de higiene e antitranspirantes potentes, podendo incluir procedimentos dermatológicos.
7 dicas para reduzir o desconforto causado pelo excesso de suor
Quando em excesso, o suor pode causar desconforto, principalmente durante a prática de exercícios ou em dias muito quentes. Mas algumas medidas simples ajudam a minimizar os incômodos e manter o bem-estar ao longo do dia:
- Use roupas leves e tecidos tecnológicos: favorecem a ventilação da pele e a evaporação do suor.
- Mantenha ambientes bem ventilados: a circulação de ar melhora a sensação térmica e reduz o abafamento.
- Adote hábitos refrescantes: banhos mornos ou frios e pausas em locais frescos ajudam a aliviar o calor.
- Prefira alimentos ricos em água: frutas, verduras e saladas contribuem para a hidratação e promovem sensação de frescor.
- Invista em uma rotina de higiene adequada: sabonetes específicos para o corpo e o rosto, desodorantes e produtos de higiene íntima que respeitem o pH da pele e favoreçam o equilíbrio da microbiota cutânea e íntima.
- Cuide da pele após os treinos: higienize o rosto, hidrate e aplique o protetor solar.
- Reforce a ingestão hídrica: ajuste o consumo de líquidos ao calor, à atividade física e à quantidade de suor.
Em treinos intensos ou quando há muita transpiração, a reposição de eletrólitos também pode ser importante para favorecer a hidratação e a recuperação muscular.
Siga a leitura e entenda quando a reposição de eletrólitos pode fazer diferença para quem transpira muito ou pratica exercícios físicos regularmente e como escolher a melhor opção.
As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para o profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. Assim, as informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter a respeito de sua condição médica. Por fim, nunca desconsidere o conselho médico ou demore na procura de ajuda por causa de algo que tenha lido em nosso site e mídias sociais da Essential.







